Mais uma vez se perdeu um jogo que dava precisamente essa sensação desde os primeiros momentos. Era um jogo perdido, só não se sabia quando. Também o Chelsea, não sabia exactamente quando, mas sabia que ganharia porque é uma equipa sólida, tem uma estratégia eficaz e não esquece os pormenores. Tudo o que o FC Porto não é, não tem e não faz. Para além disso, a classe individual dos jogadores inclina ainda mais o prato da balança. Como ninguém se decidia, que tal uma pequena ajuda? E se tirássemos Varela, que até então tinha equilibrado o seu lado, ajudando em tudo, defender, pausar, atacar, poupando-o para o Rio Ave, e metêssemos Hulk e…? O resultado seria o mesmo no final? Seria, mas o Chelsea teria de arranjar outra forma de o fazer! Outra pergunta ainda: porque é que a equipa fica tão desiquilibrada quando Hulk perde a bola bem lá na frente? Algumas respostas possíveis: os colegas querem mostrar isso mesmo, porque acham que ele deve passar a bola, os adversários são todos muito bons e conseguem sempre criar perigo ou fazer golo ou então não há solução para isso.
O que pode dar imprevisibilidade e imaginação ao futebol da equipa? Porque parece o campo enorme, com aquela forma de jogar? Onde está a equipa “à Porto”? Para onde foi a intensidade de jogo em todas as zonas do campo?
As respostas, palpita-me, não serão respondidas tão cedo. Ano zero? Com certeza que sim!
Regresso à Champions, com um jogo recheado de oportunidades criadas, e onde apenas uma foi convertida. Jogo quase exemplar, defensivamente falando, um pouco menos perfeito no meio-campo e na frente e completamente desastrado na concretização. Quantos golos se marcarão por jogo, quando se aproveitarem metade das oportunidades mais evidentes? Até lá, é preciso esperar e esperar até ser marcado um golo que sossegue os espíritos e transforme o resultado. Alheia a todas as críticas, a equipa só pode crescer, entretanto alguns jogadores vão-nos exasperando com os seus passes errados, faltas desnecessárias e egoísmo desmesurado.
O jogo tinha tudo para dar errado. Um adversário bastante mais fraco, a chuva incessante, a enervante falta de velocidade inicial, o auto-golo madrugador na primeira descida do Apoel, tudo parecia encaminhar-se para os maus exemplos da jornada anterior e mais longinquamente para uma desgraça chamada Artmedia. Mas o FC Porto não tem nada a ver com com esse passado e sem ter os jogadores dessa altura, tem hoje claramente um timoneiro e uma solidez invejável. É curioso até recordar o onze inicial desse malfadado jogo de 28 de Setembro de 2005:
Vítor Baía; Bosingwa, Ricardo Costa (Alan, 76´), Bruno Alves e César Peixoto; Ibson, Lucho e Diego (Hugo Almeida, 76´); Quaresma, Jorginho e McCarthy
Jogo difícil para o coração, com um adversário forte na defesa e capaz de trocar a bola e levá-la até Helton. Com uma bela exibição, Helton segura tudo e dá a tranquilidade que alguns colegas seus não têm conseguido, a parede atlética parecia intransponível e ninguém parecia capaz de a furar. Substituindo o titular, o guarda-redes suplente poucas vezes entrava em acção e o jogo parecia marcado para mais um zero-zero. Até que Falcao, mandando às urtigas estas histórias de adaptação, inventou o golo e tudo acabou para o Atlético.
Bastante desfalcado, o Chelsea conseguiu, apesar disso, derrotar um FC Porto muito limitado e pouco consistente no seu meio campo. A jogar desta forma será difícil ao Fcp ir muito longe. Não entendo porque ficam no banco jogadores como Falcao e Varela que têm demonstrado serem os agitadores desta equipa algo insonsa. Falta mesmo sal a esta equipa, onde está quem fazia as transições com rapidez?
Foi um um bocado confrangedor ver tantos passes errados, mesmo em lugares absolutamente proibidos e Rodriguez e Mariano foram bastante avarentos na entreajuda aos laterais. No centro, Meireles e Guarin erraram demasiados passes e nunca demonstraram circulação de bola e controlo das zonas. O centro da defesa falhou demasiadas vezes e mais golos não aconteceram por mero acaso (e não só!).
Aquele tridente inicial não faz mal a uma mosca, nem nunca fará porque não funciona. Jesualdo pareceu querer inventar e inovou demasiado não se percebendo, porque poupou tanto tempo os dois jogadores que realmente vieram mexer a equipa.
Por fim, Helton foi um gigante, se não o tivesse sido a equipa teria levado que contar!